01 / 07
Madrugada
O mar ainda não tem cor. Só luzes de barcos, muito ao largo.
Na Praia dos Pescadores a areia está fria. A leste abre um fio índigo.
Procura os barcos lá fora. Não estão todos à vista.
02 / 07
Alvorada
O sol toca a primeira pedra. O calcário passa de cinzento a alperce.
A areia molhada devolve o céu. Um barco sai e risca a água.
Arrasta o sol pela falésia e vê a cor mudar de sítio.
03 / 07
Manhã
A luz fica limpa. As casas da vila velha ficam brancas de mais.
As sombras encurtam e endurecem. As gaivotas trabalham a linha de água.
Aproxima-te das gaivotas. Elas nunca te deixam chegar perto.
04 / 07
Meio-dia
O sol cai a direito. A sombra do arco encolhe até quase nada.
O ar treme por cima da rocha. A água fica turquesa e dura.
Fica parado ao sol. O ecrã começa a tremer de calor.
05 / 07
Tarde
As sombras esticam-se pela areia. Tudo o que é branco fica dourado.
A espuma acende-se contra o sol. A falésia arde devagar, cor de telha.
Mexe-te. A tua sombra vai contigo, cada vez mais comprida.
06 / 07
Hora azul
O sol já foi, a cor ficou. O céu desce ao azul da marina.
Acendem-se as primeiras luzes da vila. O mar fica liso como chapa.
Segue os pirilampos com o dedo. Só aparecem a esta hora.
07 / 07
Noite
A falésia fica só contorno. O mar respira e não se vê.
A lua abre um caminho na água. As estrelas ficam quietas por cima.
Liga três estrelas pela ordem certa. Elas escrevem uma palavra.